INFLUÊNCIA DAS PESQUISAS (II)

18/01/2012

Eleitora

“Muita gente acha que a pesquisa eleitoral influencia o resultado das eleições porque favorece o voto útil. As pessoas não querem perder o voto, votar em quem não tem chances de ganhar, aí quem está na frente nas pesquisas leva vantagem, canaliza esses votos”.

Maurício Costa Romão

Essa impressão é muito difundida, a de que as pesquisas estimulam o voto útil, favorecendo quem está na frente. Mas esse assunto tá longe de ser consensual. Existe até uma fundamentação muito famosa – chamada de “espiral do silêncio” – da pesquisadora alemã Elisabeth Noelle-Neumann, sobre os fatores que levariam o indivíduo a migrar de uma candidatura para outra, percebida com mais chances de vitória, quer dizer, fatores que induzem o indivíduo a praticar o voto útil. A cientista alemã parte do princípio de que as pessoas são altamente influenciadas pelo que as outras pensam e dizem. Se as pessoas perceberem que sua opinião está em minoria, elas inicialmente ocultam essa opinião e, em seguida, aderem ao que pensa o conjunto majoritário.

Vale dizer, os indivíduos tendem a levar em conta à opinião dos demais e amoldar-se ao mainstream, o pensamento prevalecente. Daí por que muita gente critica as pesquisas de intenção de voto, sob o argumento de que elas induzem o eleitor a seguir o pensamento da maioria, favorecendo o candidato que está mais bem colocado nos números da corrida eleitoral e sepultando, através do voto útil, candidaturas potencialmente com chances de ascensão e eventualmente de vitória. Há muitos contra-exemplos, entretanto.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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