INFLEXÃO NO CONTEXTO POLÍTICO

04/04/2012

 

Adriano Oliveira

Inflexões significam ruptura e aproximação. Em razão da ruptura uma nova ordem surge, a qual contradiz com a ordem anterior. A aproximação possibilita que dois atores, os quais não eram aliados na ordem T1, criem ou surgiram alianças vislumbrando o futuro (T2). É comum inflexões acontecerem nos contextos políticos. Atores sábios devem ter em conta a possibilidade da inflexão. As ações iniciais dos atores podem sugerir que dada inflexão esteja por vir. Analistas atentos vislumbram inflexões. No caso, constroem cenários.

Eventos regulares revelam que as inflexões ocorrem costumeiramente na realidade política brasileira. São inúmeros os exemplos. A inflexão mais visível foi realizada pelo PT, após a primeira eleição presidencial de Lula. Atores que criticavam o PT passaram, sem cerimônias, a fazer parte da ampla coalizão partidária presente na era Lula.

Em Pernambuco, uma nova ordem política surge. Isto não significa que os inimigos políticos de ontem serão os aliados eleitorais de amanhã. Um grande grupo político denominado Frente Popular nasceu em Pernambuco no ano de 2006 e uma bolha de expectativas eleitorais foi criada por parte dos seus variados atores. A bolha, em razão das expectativas, poderá explodir.

A composição da Frente Popular se assemelha a extinta União Por Pernambuco. O senador Jarbas Vasconcelos liderou a União. Em razão das expectativas eleitorais dos variados atores que a ela pertenciam e também por conta da vitória de Eduardo Campos para o governo de Pernambuco em 2006, a União por Pernambuco findou.

O principal líder da Frente Popular, Eduardo Campos, se movimenta. E o principal expoente da oposição em Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, também. Independente dos partidos, estes atores poderão vir a cooperar eleitoralmente. Mas caso isto não ocorra, as suas recentes ações sugerem que os conflitos serão ou já foram dirimidos e que convergências poderão surgir.

Em silêncio, e agindo em um lado só, ou seja, na Frente Popular, o governador Eduardo Campos tem, por enquanto, aparente unanimidade. Apesar do resultado da disputa municipal do Recife importar, não vislumbro, neste momento, a construção de um palanque de oposição ao governador Eduardo Campos liderado por integrantes históricos da extinta União por Pernambuco na eleição de 2014.

Vislumbro, entretanto, que um novo polo de poder surgirá em Pernambuco advindo da Frente Popular. Neste caso, a Frente produzirá um ou dois oposicionistas. Prevejo que PT e PTB, hoje pertencentes a Frente Popular, podem vir a criar uma nova ordem política em Pernambuco.

 Cientista Político – http://www.contextoestrategia.com.br/http://www.leiaja.com/

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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