IDEOLOGIA E ELEIÇÕES

24/01/2012

Kenneth Maxwell

Folha de S.Paulo, 11/01/2012

A campanha presidencial dos Estados Unidos, até o momento, está concentrada inteiramente nos republicanos, que disputam as primárias estaduais para determinar qual entre os seus pré-candidatos se tornará o oponente do presidente Obama na eleição de 6 de novembro. A primeira dessas disputas aconteceu em Iowa, em 3 de novembro, em uma prévia restrita aos membros do Partido Republicano. A primeira primária estadual aberta a todo o eleitorado aconteceu em 10 de janeiro em New Hampshire.

As primárias finais ocorrerão em 5 de junho em Montana, Novo México e Dakota do Sul. A convenção do Partido Republicano será em Tampa, Flórida, entre 27 e 30 de agosto. A convenção democrata será em Charlotte, Carolina do Sul, entre 3 e 6 de setembro.

O quadro não é bonito, até o momento. A disputa parece uma montanha russa. E os candidatos de ideologia mais extrema é que parecem estar cada vez mais em destaque.

Não surpreende que venham subindo e descendo nas pesquisas como se o vento os carregasse. Primeiro veio Rick Perry, o governador do Texas; depois o veterano deputado federal texano Ron Paul, o favorito do movimento Tea Party; em seguida o ex-presidente da Câmara de Deputados Newt Gingrich; seguido pelo ex-governador de Utah e embaixador de Obama na China Jon Huntsman; e por Rick Santorum, ex-senador pela Pensilvânia; para não mencionar o favorito, Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts.

Candidatos que ganharam ascendência temporária, como Herman Cain, empresário da pizza georgiano, e a deputada federal Michele Bachmann, de Minnesota, já desistiram.

São uma coleção extraordinária de personagens. Rick Perry, no meio de um debate entre os candidatos, nem conseguia lembrar que departamento do governo federal pretendia fechar. Ron Paul quer abolir o imposto de renda federal. Rick Santorum se opõe veementemente ao casamento gay. A vida pessoal de Newt Gingrich é problemática. Mitt Romney adotou em Massachusetts um programa de saúde muito semelhante ao de Obama.

Romney, como Huntsman, é mórmon e, em consequência, desperta oposição nos protestantes evangélicos que apoiam Santorum, um católico fervoroso que espera se sair bem contra Romney na Carolina do Sul, Estado conservador e religioso onde ocorre a próxima primária, em 21 de janeiro. A menos que Gingrich, que também vem apresentando bom desempenho na Carolina do Sul, prove-se capaz de aproveitar os comerciais de TV de ataque a Romney que está veiculando no Estado.

Obama deve estar aliviado diante dos problemas que seus potenciais oponentes vêm causando uns aos outros.


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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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