GLOSSÁRIO DE NOÇÕES ELEITORAIS E DE PESQUISA (Segunda Parte)

27/07/2010
 

Imagem publicada no blog do IMN

Por Agenor Gasparetto

Principais significações assumidas pelas pesquisas eleitorais:

Significações das pesquisas boca de urna:

As pesquisas boca de urna são pós-voto. Da perspectiva da influência na decisão do eleitor, nada significam, são natimortas. Cumprem, todavia,  três funções principais:

a)         antecipam em algumas horas os prováveis resultados das eleições. (=função manifesta);

b)        são  utilizadas como fontes de legitimação e de credibilidade (=função principal); 

c)         com a massificação dos seus resultados e seu confronto com o resultado das urnas, o eleitor perde de vista o desempenho dos institutos no período pré-voto. O foco passa da influência para ser apenas o erro das pesquisas.

Significações das pesquisas pré-voto: 

a) Das pesquisas divulgadas até o término da campanha: dizem respeito ao direito do eleitor  de ser informado sobre as perspectivas das diferentes candidaturas, podendo, se assim o desejar, pautar sua decisão, combinando  afinidade com algum pragmatismo. A sua divulgação é eticamente aceitável.

b) Das pesquisas após o término da campanha até o dia da eleição, incluindo-o:  essas funcionam, na prática, como uma continuação da campanha eleitoral por outros meios, independentemente da intencionalidade dos realizadores e veiculadores das mesmas.  O seu efeito, aqui, pelo contexto marcado pela ausência de quem as conteste, tende a ser mais forte.  Em vez de luz para uma decisão, ofuscam o livre discernimento do eleitor após período de intensa campanha.

Da influência das pesquisas eleitorais: 

Os eleitores podem ser afetados em graus variados:

a)         apenas induzindo a apatia eleitores que sentem que seu candidato não tem chances.

b)         induzindo a alguma forma de voto útil,  combinando afinidade com algum pragmatismo;

c)         até tomando das pesquisas sua decisão, pela razão de não perder o voto (pobreza cultural).

Do direito de informar: no fundo, utilizar o argumento da neutralidade absoluta, não diferenciando contextos,  é querer assegurar o uso monopolizado do direito. Assim como há o direito de informar, também há o direito de igualdade de condições, de não interferência de fatores externos nas  campanhas e nos destinos de uma eleição.  Pergunta relevante aqui: qual é o princípio-mor que comanda o espaço que deve ocupar cada notícia num veículo de comunicação? Se as pesquisas fossem neutras, seriam inúteis da perspectiva do impacto e da sua influência. Jornais, revistas e programas noticiosos, na perspectiva de sua linha editorial e de seus interesses, não costumam colocar manchetes insossas, desinteressantes.  É a capacidade de impactar que conta. 

Do conceito regular. Toda divulgação eivada por intentos de propaganda é tentada pela transformação do conceito regular atribuído a uma administração pública como conceito positivo, agregando-o aos conceitos ótimo e bom. Quem agrega o conceito regular aos conceitos positivos poderia pelas mesmas razões agregá-lo aos conceitos negativos, ruim e péssimo. Nos 11 anos da Sócio Estatística sempre classificamos o conceito regular como um conceito ambíguo, uma vez que diz respeito ao eleitor e cidadão que percebe elementos positivos e negativos e no balanço permanece na ambigüidade ou, simplificando, em cima do muro. A experiência mostra que quando esse sujeito desce do muro ou dele cai, via de regra, soma mais para o negativo. A razão parece ser muito simples: ninguém se satisfaz com uma comida, um carro, um calçado ou uma roupa regular,  tendo uma boa ou ótima ao seu alcance. Portanto, a junção do regular para qualquer uma das direções, positiva ou negativa, responde a um intuito sutil de propaganda cavalgando uma informação.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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