FRAQUEZA DA OPOSIÇÃO

01/08/2012

 

Editorial da Folha de S.Paulo

21/07/2012

Baixa presença de candidatos de PSDB, DEM e PPS nas eleições municipais mostra desequilíbrios crônicos na disputa política brasileira

É diminuto o número de representantes dos partidos de oposição entre os candidatos a prefeito nas eleições de outubro. Apenas 18% dos pleiteantes pertencem ao PSDB, ao DEM e ao PPS. A proporção é praticamente equivalente ao peso dessas agremiações na Câmara dos Deputados: 17,5%. Não é de espantar esse enfraquecimento dos poucos partidos que resistem aos notórios poderes de atração do Executivo no Brasil.

Os altos índices de popularidade da presidente Dilma Rousseff aliam-se à sequência de escândalos que, em especial, desmoralizaram figuras importantes do DEM.

Mesmo levando em conta esses fatores conjunturais, deve-se observar que a pequena participação dos opositores nas eleições municipais é antes a regra do que a exceção em nosso sistema político.

Em 1996, quando PT, PDT, PSB e PC do B estavam fora do governo federal, reduziu-se aos mesmos 18% a presença de seus candidatos na disputa pelas prefeituras.

O fenômeno não representa apenas uma indicação da falta de vigor no debate político e da crônica inautenticidade das filiações partidárias -que se expandem ou retraem ao sabor das cooptações do governo central.

Trata-se também de sintoma da forte subordinação, quando não dependência, das administrações municipais às fontes de financiamento e aos projetos federais.

Num grande número de cidades inexistem condições reais para a realização de obras com impacto eleitoral. Criou-se, ao longo do tempo, contingente expressivo de municípios artificiais, para acomodar interesses de líderes locais.

O conhecido fisiologismo de boa parte dos deputados federais tem como um de seus principais fundamentos a disputa, centímetro a centímetro, por verbas destinadas a projetos de âmbito paroquial.

A Câmara dos Deputados parece ser, desse modo, uma espécie de reunião nacional de vereadores -e não, como deveria, um centro de decisões sobre os rumos do país em seu conjunto.

Ou seja, municipaliza-se a ação dos deputados enquanto se federalizam as eleições municipais.

A esse paradoxo soma-se o fato de que as particularidades da política local não se acomodam à dualidade oposição versus governo, que é a lógica no plano federal. Assim, acontece de vários candidatos dilmistas concorrerem entre si, numa penúria de oposição.

A necessidade de uma reforma fiscal e administrativa se conjuga à da reforma política, se quisermos mais inteligibilidade na democracia brasileira. Aparentemente, todavia, paradoxos e confusões não causam maior desconforto aos protagonistas do espetáculo.

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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