ELEIÇÃO SEM PROGNÓSTICO

29/09/2010

imagem publicada no blog de Magno Martins

Mauro Paulino

Folha de S.Paulo, 28/09/2010


É impossível afirmar de forma isenta se Dilma terá mais votos do que a soma de seus concorrentes


 

A ESSA ALTURA a maioria dos eleitores, em todas as camadas, já tem o voto para presidente decidido e a parte que não está completamente resolvida é relativamente pequena. Mas ela é decisiva diante da indefinição sobre a realização ou não do segundo turno, revelada hoje pelo Datafolha.

A exemplo das duas eleições anteriores é impossível afirmar de forma isenta, a cinco dias da votação, se Dilma terá mais votos do que a soma de seus concorrentes.

Muita coisa acontece na última semana de campanha. Até o momento da confirmação do voto para presidente no próximo domingo parte considerável dos eleitores, mesmo os mais decididos, dedicará maior atenção ao noticiário político, dará uma espiada no horário eleitoral ampliando sua audiência e trocará mais ideias em seu entorno.

Estarão diante da decisão final, memorizando números de candidatos, buscando notícias, comparando percentuais, envolvidos enfim e concluindo as escolhas, de uma vez por todas. O último debate terá mais atenção e alcance do que os anteriores. Será visto principalmente pelos interessados e decididos, que julgarão com indulgência o desempenho de seu candidato.

 Se Dilma não repetir o erro cometido por Lula em 2006 ao desistir na última hora, poderá expor-se como centro das atenções. Se não repetir no último as deficiências apresentadas no primeiro debate, sairá com o usual empate induzido pelas regras e pelo engessamento imposto pelas assessorias.

Às ondas de repercussão do debate se somarão outros movimentos eleitorais e informações de véspera que se propagarão até as urnas. A maioria permanecerá imutável, mas é a minoria que ainda não se decidiu que assumirá o protagonismo da eleição.

Em 2002, faltando cinco dias para a eleição, Lula obtinha 49% dos votos válidos e chegou a 46% nas urnas. Em 2006, no mesmo momento, sustentava 53% e a apuração lhe conferiu 49%. Ambas foram para segundo turno. Hoje, Dilma conta com 51%.

Esses dados reafirmam que já não é inesperado o segundo turno e que prognósticos sustentados há um ano, seis meses ou um dia antes da eleição têm uma origem comum: torcida. Buscar resultados futuros a partir das intenções de voto serve para exercícios acadêmicos ou partidários, mas sempre sujeitos à soberania dos eleitores diante das urnas.

PARANÁ
Enquanto o PT vociferava contra os excessos da imprensa, o PSDB opunha-se concretamente ao direito constitucional de livre acesso à informação, censurando divulgações de pesquisas no Paraná. A pedido do candidato tucano Beto Richa, os juízes do TRE local proibiram os institutos de divulgar seus resultados. A decisão transforma o Paraná em um sombrio laboratório da classe política em seu anseio de reservar essas informações apenas para consumo próprio. Aos eleitores, cobaias da desinformação, oferecem em troca a boataria das porcentagens.


MAURO PAULINO é diretor-geral do Datafolha

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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