ELEIÇÃO DO RECIFE: UMA VISÃO DE CONJUNTO

03/09/2012

Fonte: elaboração própria com base em 14 pesquisas de vários institutos

Maurício Costa Romão

Embora seja gerada de institutos diferentes, com metodologias distintas, a evolução dos números das pesquisas, postada consoante a data do trabalho de campo, dá margem a se observar os movimentos ondulatórios da trajetória de intenção de votos das quatro principais candidaturas concorrentes à prefeitura do Recife.

 Patamares

Durante o mês de julho o senador Humberto Costa liderou as pesquisas, a maior parte do tempo situando-se no limite inferior do patamar de 35% a 40% de intenções de voto. A partir de agosto foi perdendo posição e baixou para o patamar de 30% a 35%, chegando ao início do guia eleitoral com percentuais gravitando no piso desse patamar. Daí, então, caiu mais um degrau e agora está no limite inferior do intervalo de 20% a 25%.

Mendonça Filho iniciou sua trajetória no patamar de 20% a 25% e se manteve aí até o final de julho. A partir daí foi paulatinamente perdendo espaço, a ponto de hoje situar-se no patamar de 5% a 10% de intenções de voto.

Como as trajetórias de Humberto e de Mendonça são nitidamente decrescentes, o guia eleitoral não parece ter tido influência nas respectivas quedas de intenção de votos. Quer dizer, a linha de tendência de intenção de votos dos dois candidatos apontava que eles seguiriam perdendo posição, independentemente do horário eleitoral.

Geraldo Júlio findou o primeiro mês oficial de campanha beirando o limite superior do patamar de 5%a 10% e foi sucessivamente mudando de patamar, chegando ao final de agosto no intervalo de 30% a 35% de intenções de voto. Aqui também não parece ter havido impacto do guia, já que as preferências do eleitor pelo candidato pessebista crescia vigorosamente a cada pesquisa, suscitando a expectativa de que independente do horário de rádio e TV essa ascensão dar-se-ia de qualquer jeito.

 O caso de Daniel Coelho é bastante interessante: sempre esteve no patamar de 5% a 10% de intenções de voto e, a partir do guia eleitoral, superou essa barreira e já se encontra no limite superior desse intervalo. Neste caso, é mais provável que o guia eleitoral haja exercido algum impacto.

Fontes do crescimento

Em relação à pesquisa anterior do mesmo Ibope (realizada entre 13 e 15 de agosto) Geraldo Júlio passou de 16% para 33%, no levanbtamento divulgado hoje e realuizado entre os dias 31 de agosto e 1 de setembro. Humberto Costa, por seu turno, regrediu de 32% para 25%, Mendonça Filho caiu pela metade, de 16% para 8%, e Daniel evoluiu positivamente de 10% para 15% de intenções de voto. Foram 8% os que declararam não saber ou não responderam nas duas pesquisas, mas os votos em branco e os nulos caíram de 15% para 8%.

Então, Humberto e Mendonça perderam 7 e 8 pontos, respectivamente, entre uma pesquisa e outra, e Geraldo e Daniel conquistaram 17 e 5 pontos, em respectivo. Os votos em branco e os nulos diminuíram 7 pontos. No total, foram 22 pontos perdidos e conquistados.

Assim, Geraldo, para ter subido 17 pontos tem que ter, necessariamente, tirado votos de Humberto, de Mendonça e dos brancos e nulos. Não se sabe quanto de cada, mas é certo que se alimentou das três fontes. Já a subida de Daniel, de 5 pontos, não é possível ser identificada de onde se originou. Pode ter sido de uma, de duas ou das três possibilidades.

Os votos da oposição diminuíram 3 pontos entre as duas pesquisas, mas há o fato novo do crescimento de Daniel Coelho. Os de Humberto vem, surpreendentemente, descendo de ladeira abaixo, deixando para trás o famoso piso dos 30% de votos que o PT teria no Recife. A questão é: se não reagir, até onde vai parar essa sangria nas hostes petistas?

É oportuno lembrar também que a fonte da categoria de votos brancos, nulos e indecisos se está esgotando (no dia da eleição há um resíduo de cerca de 10% de votos brancos e nulos). Tudo isso torna o quadro ainda confuso, não no que diz respeito à liderança do processo, que continuará cada vez mais com Geraldo Júlio, mas à possibilidade de a eleição ter desfecho no primeiro turno. Mas isso se saberá brevemente.

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e de Mercado,

e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br . http://mauricioromao.blog.br.

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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