ELEIÇÃO ABERTA

11/09/2011

Editorial da Folha de S.Paulo, 06/09/2011

Disputa pela Prefeitura de SP deve contar com bom índice de renovação de postulantes; que inovem nas propostas para enfrentar o caos urbano

A 13 meses das eleições, o atual cenário político indica uma renovação de competidores na disputa pela Prefeitura de São Paulo. A pesquisa Datafolha publicada ontem tornou ainda mais remota a hipótese de o ex-governador José Serra (PSDB) aventurar-se na disputa. Em seu melhor desempenho, sem outros nomes de peso na corrida, empata com Celso Russomano (PP) -ambos marcam 19%.

A senadora Marta Suplicy (PT), em que pese o bom desempenho, também enfrenta obstáculos. Com 30%, repete o patamar do primeiro turno de 2008, o que parece indicar um teto. A taxa de rejeição, de 30%, reforça essa hipótese.
A eleição se abre, assim, a nomes que pouco ou nunca frequentaram a cédula da eleição para prefeito da capital.
No petismo, desponta o ministro da Educação, Fernando Haddad, ungido pelo ex-presidente Lula, que age e manda como autêntico coronel do PT. Desconhecido, com baixa exposição local e nacional, Haddad obtém 2%.
Quanto ao PSDB, o pelotão formado pelo senador Aloysio Nunes, pelo deputado estadual Bruno Covas e pelo deputado federal José Aníbal não indica líder claro. Além deles, o secretário estadual da Cultura, Andrea Matarazzo, também pleiteia a vaga.
O contraste com a eleição passada é notável. A esta altura, há quatro anos, os principais nomes colocados já eram os de Geraldo Alckmin (PSDB), Marta Suplicy e Gilberto Kassab (então no DEM).
A avaliação de Kassab, por seu turno, questiona o papel que o prefeito poderá exercer em sua sucessão. Apenas 24% consideram sua administração boa ou ótima.
O trânsito, depois de um respiro com medidas como a proibição parcial de caminhões nas principais vias, volta lentamente ao tormento habitual. Na saúde, o atendimento continua precário. A fila para vagas em creches passa de 100 mil, e o desempenho dos alunos da rede municipal é pífio, embora tenha havido aumento no salário de professores e o chamado turno da fome caminhe para o fim.
O plano de mudança urbanística mais ambicioso, o da Nova Luz, estende-se agora até o longínquo ano de 2027. Enquanto isso, o centro da capital está tomado por uma multidão de zumbis viciados em crack. Que a reciclagem de nomes na eleição signifique também uma renovação de planos e prioridades para a reforma urbana, profunda e abrangente, que São Paulo não pode mais esperar.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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