DIRIGENTES COM MANDATOS “ETERNOS”

15/05/2011

Agência Estado, 15/05/2011

 A democratização do País a partir de 1985 permitiu a proliferação de partidos políticos das mais variadas tendências. Algumas dessas siglas têm verdadeiros “donos”, tão longa é a permanência de seus presidentes no cargo. Das 27 legendas – serão 28, quando o PSD de Gilberto Kassab for regularizado -, dez têm presidentes com uma década ou mais no comando.

O mais longevo é Daniel Tourinho, que preside PTC desde os anos 80, seguido de Vitor Nósseis, que dirige o PSC  há 21 anos. Já os dirigentes do PSTU, PRTB e PSDC estão no comando de suas respectivas legendas há 16 anos, cada. O presidente deste último, José Maria Eymael, alega que está no comando da sigla por tanto tempo para “proteger a democracia cristã”.

Antes de presidir o Partido Trabalhista Cristão (PTC), Daniel Tourinho foi o dirigente máximo do Partido da Juventude (PJ) e do Partido da Renovação Nacional (PRN), duas agremiações que surgiram para dar abrigo ao então candidato a presidente da República, Fernando Collor de Mello, no final dos anos 80. Extintos esses partidos, Tourinho fundou o PTC, que, em 2010, recebeu R$ 2,02 milhões do Fundo Partidário.

Quem já completou 21 anos à frente de uma sigla foi Vítor Nósseis, do Partido Social Cristão (PSC). No ano passado, o PSC recebeu do Fundo Partidário R$ 3,9 milhões. A partir deste ano, entretanto, deverá pegar um quinhão maior, porque elegeu 17 deputados e deixou de ser um dos considerados “nanicos”. Antes, a sigla tinha sempre de dois a cinco parlamentares em sua bancada.

José Maria de Almeida, que, a cada quatro anos costuma concorrer à Presidência da República pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), com o bordão “Contra burguês, vote 16”, está no comando da legenda desde 1995, há cerca de 16 anos. O PSTU, que não elegeu deputado no pleito de 2010 e não tinha bancada nas legislaturas anteriores, recebeu do Fundo Partidário R$ 597 mil, bem menos que as legendas.

Outro político que também se mantém à frente da legenda há muito tempo é Levy Fidelix, cuja principal bandeira era a construção de um sistema de transporte elevado. Fidelix – outro que disputou a Presidência da República em outubro passado – dirige o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) desde 1995, a exemplo de José Maria do PSTU. O partido recebeu R$ 743 mil do Fundo Partidário em 2010, quando não tinha deputado no Parlamento. Nas eleições passadas, o PRTB fez dois deputados federais. Portanto, deverá aumentar sua participação no bolo distribuído aos partidos já neste ano.

TRAIÇÃO

Figura conhecida nas eleições presidenciais, o ex-deputado federal José Maria Eymael está à frente do Partido Social Democrata Cristão (PSDC) também há 16 anos. Sum agremiação recebeu R$ 745 mil do Fundo Partidário em 2010. Continuará assim, porque não elegeu ninguém no último pleito. À reportagem, Eymael justificou tanto tempo no comando da sigla como uma forma de proteger a democracia cristã, que, segundo ele, estaria ameaçada.

“Estou à frente do partido por tanto tempo não por vocação para isso, mas para evitar outros atos de traição. Quem já sofreu esse processo tem de ter cuidado”, assegurou Eymael, sem citar nomes. Ele prometeu que não se candidatará mais a presidente da República. “Minha missão já foi cumprida”, acrescentou o ex-parlamentar, que ficou famoso com o jingle em que e apresentava como “o democrata-cristão”.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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