DICAS PARA LER UMA PESQUISA

05/07/2012

Texto extraído de: http://www.educared.org/educa/img_conteudo/especiais_eleicoes_dicas.htm

  • Se for uma pesquisa quantitativa, é sempre bom olhar o tamanho da amostra. Em geral, quanto maior a amostra, menor o erro estatístico. E não é só isso. É preciso verificar, também, a dispersão amostral (se for um levantamento em São Paulo, a quantidade de bairros, por exemplo, ou se for no Brasil, o número de cidades). Quanto maior a dispersão, melhor.

  • Sempre é bom observar também a margem de erro de uma pesquisa eleitoral – que em geral é de 2%, para mais ou para menos. Então, se um candidato tem 36% e outro 32%, pode-se considerar uma situação de empate técnico. Se um candidato cresceu apenas 1%, deve-se relativizar este crescimento.

 

  • Prestar atenção nos dados que estão segmentados (homens X mulheres, classe social, idade etc). Essas informações podem ser preciosas. Na campanha presidencial de 1989, por exemplo, os candidados Lula (PT) e Leonel Brizola (PDT) estavam tecnicamente empatados em segundo lugar no primeiro turno. Os dados indicavam, porém, que os votos de Brizola concentravam-se apenas no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, enquanto os de Lula espalhavam-se pelo país. Esse detalhe indicava que a candidatura do petista estava mais consolidada – e foi Lula quem passou para o segundo turno na ocasião.

 

  • Prestar atenção nos tipos de perguntas que foram elaboradas, se abertas – em quem vai votar? – ou direcionadas – em qual desses três candidatos vai votar? Se a pergunta diz “se a eleição fosse hoje, em quem votaria?” ou se diz “em 6 de outubro, em quem votará ?” Esses detalhes fazem toda a diferença, já que indicam a real disposição do eleitor;

 

  • É fundamental saber quem contratou e quem pagou a pesquisa que está sendo divulgada, como o trabalho foi feito. Determinadas técnicas podem levar uma resposta para uma ou outra direção. Se a idéia for aumentar o percentual de um candidato associado às causas sociais, por exemplo, pode-se começar perguntando: “Você está satisfeito com os investimentos na área social no Brasil?” Colocando em pauta essa questão, é bem provável que o entrevistado manifeste a intenção de votar naquele candidato. Em outra situação, pode-se, na mesma linha, enfatizar o combate à inflação, e o candidato escolhido pelo entrevistado poderá ser outro.

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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