DESEMPENHO NUMÉRICO DOS PRINCIPAIS PARTIDOS NA ELEIÇÃO DE 2012, EM PERNAMBUCO

12/11/2012

 

Fonte: elaboração própria, a partir de dados do portal UOL e do TSE/TRE. *O eleitorado do estado corresponde a, aproximadamente, 70% da população. Os dados de 2008, originalmente em eleitores, foram multiplicados pelo fator 1,3.

Maurício Costa Romão

Os dirigentes partidários sempre encontram razões numéricas para louvar desempenhos eleitorais de suas agremiações ao cabo dos pleitos. Quando não as acham, ou as têm em quantidades pouco expressivas, recorrem a conceitos abstratos, tais como “estratégico”, “simbólico”, etc., para magnificar vitórias em determinados redutos e minimizar resultados bisonhos em outros.

Os indicadores numéricos normalmente trazidos à baila nas eleições municipais são vários: (a) número de prefeituras conquistadas; (b) votação recebida nessas prefeituras; (c) população governada pelos prefeitos eleitos; (d) orçamento dos municípios onde a vitória se deu; (f) alianças partidárias vitoriosas; (g) quantidade de capitais de estado vitoriosas; (h) locais a serem geridos com mais de 200 mil eleitores, (i) fortalecimento das bancadas legislativas (eleição de determinado número de vereadores), etc.

O tipo de “prova” do sucesso eleitoral do partido, a ser pinçado nesse rol, vai depender de como a sigla se comportou nas urnas. Se o resultado não foi bom, por exemplo, em termos do quantum de prefeituras conquistadas, mas foi destacado no contingente populacional que os prefeitos eleitos administrarão, é sobre esta variável que o discurso triunfalista repousará.

Não sem razão, pois, que se assiste a um verdadeiro tiroteio verbal entre adversários político-partidários: proclamações de vitórias são contestadas e acusações de derrotas são refutadas. Agora mesmo, só à guisa de ilustração do argumento, o senador Aécio Neves, do PSDB, acusa o PT de fazer propaganda enganosa, jactando-se de ter sido o grande vitorioso das eleições municipais de 2012:

“O fato de ter vencido em cidades importantes do país não autoriza o partido a generalizar o resultado. Pelo menos não com o amparo da realidade”.   “…Se a discussão em torno dos números não se mostra tão favorável ao PT, como seus dirigentes se esforçam em demonstrar, há uma derrota política que certamente incomoda mais nesse momento ao Planalto…”. (FSP, 05/11/2012).

Mas há resultados que são incontestes, independentes dos indicadores selecionados e da apreciação particularizada do analista. Veja-se o caso da eleição municipal de 2012 em Pernambuco e tome-se como referência o conjunto de dados desfilados na Tabela que acompanha o texto, relativos aos itens (a), (b) e (c), listados acima. Considere-se apenas o elenco de partidos cuja votação para prefeito foi superior a 4% dos votos válidos no estado todo (equivalente a votação superior a 200 mil votos).  

O PSB tem sido reverenciado, pela maior parte dos analistas, como o partido que, nacionalmente, mais saiu fortalecido nesta última eleição de 2012. Em Pernambuco, por exemplo, deixou registros eleitorais marcantes:

(a) a agremiação conquistou dez prefeituras a mais que em 2008, inclusive a da capital; (b) seus prefeitos eleitos ou reeleitos receberam acima de 1,5 milhão de votos, correspondente a um acréscimo de 110% em relação ao pleito municipal passado, e (c) os mandatários pessebistas governarão municípios que englobam uma população de 3,7 milhões de habitantes (31% do total da população do estado), cerca de 185% maior que o equivalente em 2008.

De quebra, a sigla pessebista ainda elegeu no estado nada menos que 632.040 vereadores, o que significa 26,2% a mais que em 2008. Então, nesse caso do PSB, no estado pernambucano, não cabe dúvida sobre seu vitorioso desempenho. 

Menos pujante, porém igualmente digna de nota, foi a performance do PSDB. Com efeito, comparando com 2008, a agremiação aumentou seu raio de domínio de prefeituras em 17,6%, incluindo redutos importantes da região metropolitana, recebeu mais 51,4% de votos nas cidades conquistadas, e seus gestores comandarão 1,4 milhão de munícipes, 40% a mais que na eleição anterior.

No caso das bancadas parlamentares, o BSDB elegeu 301.703 vereadores, mais ou menos a mesma quantidade do pleito anterior (houve uma ligeira queda de 1,3%).

Sem histórico passado para comparações, o PSD, recém-criado, nasce exuberante: comanda 21 prefeituras, obteve mais de 250 mil votos para seu mandatários eleitos, os quais comandarão cidades cuja população conjunta chega a 604 mil habitantes. Complementa sua vitoriosa estreia partidária, elegendo 417.209 edis em todo o estado.

Do lado, diga-se assim, perdedor, os números adversos que se sobressaem são os do PR, PMDB, PDT, PTB e PT, quando cotejados com os resultados de 2008. Quaisquer malabarismos retóricos que sejam utilizados para justificar o desempenho desse conjunto de partidos, não terão aderência na evidência empírica.

De fato, o partido republicano elegeu menos 43,3% dos prefeitos, obteve menos 32,9% dos votos para seus mandatários municipais, os quais dominarão cidades cuja população total é 51% menor. A única compensação para a sigla é ter elegido 15% a mais de vereadores agora, em 2012.

Desempenho semelhante teve o PMDB, com dados negativos em todos os quesitos, inclusive na eleição de vereadores (26,5% a menos). Já o PDT, exceto por ter ganhado uma prefeitura a mais em 2012, desfila números adverso em todos os outros itens, inclusive o que contabiliza os edis (12,6% a menos). Nesse mesmo diapasão se apresenta o PTB: tem hoje menos prefeituras, recebeu menos votos, elege menos parlamentares (queda de 26,7%) e registra apenas um discreto dado positivo: governará um pouco mais de habitantes do que em 2008.

Os quantitativos relativos ao PT são também meio desencorajadores, principalmente por conta da perda da capital do estado, diminuindo a importância política de quaisquer outros resultados positivos.

A agremiação petista conseguiu um acréscimo de cinco prefeituras, relativamente ao pleito passado, mas viu seus votos diminuírem em 30%, além de governar menos 73,1% de munícipes. Também não teve êxito no número de parlamentares eleitos, já que o contingente que ascendeu às Câmaras foi 6,4% menor que em 2008.

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e de Mercado, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br, http://mauricioromao.blog.br.

 

Um comentário
Adilson

O texto tá com alguns dados errados mas, são corrigíveis. Não seria de mais se o autor não o renomado doutor e ainda termina mordendo o próprio rabo. Cai na mesma técnica de análise dos dirigentes partidários. Vai do nacional para estadual e, nacional de novo, dependendo da sigla partidária a se julgar.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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