DESCONFIANÇA NAS PESQUISAS

31/01/2012

 

Eleitora

“Muitos eleitores têm lá suas razões de desconfiar das pesquisas: num dia sai uma pesquisa com determinado resultado, com candidato A na frente de B; no dia seguinte aparece outra mostrando o candidato B na frente de A. Isso gera uma sensação de arrumadinho, de manipulação, de que há interesses por trás dos resultados, etc.”.

Maurício Costa Romão

Uma grande parte dessa desconfiança vem do próprio desconhecimento do eleitor sobre as características metodológicas das pesquisas. Há um princípio básico na área, que é bom realçar de início: comparações de resultados de pesquisas eleitorais só devem ser feitas entre levantamentos oriundos de mesma fonte. Se as pesquisas têm o mesmo desenho de concepção (tamanho da amostra, margem de erro, intervalo de confiança, modelo de questionário, procedimento de campo, etc.), então elas são estritamente comparáveis.

Aí você pode dizer que as variações havidas nas intenções de voto dos candidatos, de uma pesquisa para outra, podem ter sido, de fato, derivadas de mudanças nas preferências da população, e não resultantes de modificações de metodologia ou de coleta de informações. Ora, os institutos diferentes, com seus procedimentos amostrais e de campo distintos, nunca trabalham com o mesmo desenho de pesquisa. Então, confrontar intenções de voto entre eles é extrair associações entre grandezas que são entre si não comparáveis, estatisticamente. Grande parte da confusão que os eleitores fazem deriva dessa impropriedade.

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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