DEPUTADOS: 1947 A 2010

29/03/2011

 

Cesar Maia

Folha de S.Paulo, 26/03/2011

As referências político-ideológicas no Brasil são tênues. A República Velha (1889-1930) produziu um regime de partido único descentralizado. A Revolução de 1930 abriu espaço para os partidos, mas, com o Estado Novo, isso durou pouco. O Partido Comunista foi uma exceção a essa regra.

A redemocratização gerou três partidos. Na UDN estavam também os socialistas. Era o partido dos governadores que se negaram a ser interventores em 1937. Seu perfil ideológico como partido liberal-urbano-cosmopolita veio depois.

O PSD era o partido dos interventores, com enorme atratividade. Os dois partidos se beneficiaram de seus candidatos a presidente em 1945: Eurico Gaspar Dutra (PSD) e Eduardo Gomes (UDN). O trabalhismo surge na relação DF-sindicatos criada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Pedro Ernesto, em 1933. Vargas o aprimorou como base social de sustentação.

O PTB, de início sem articulação com o governo Dutra, não deu frutos eleitorais. Assim vai ser com o PT pós-democratização. O PTB cresce de 1950 a 1964, quando os sindicatos passam a ter vida dentro dos governos. Em 1947, o PSD elegeu 51,8% dos deputados federais. A UDN, 25,9%, o PTB, 7,9%, e o PCB, 4,6%.
O PSD atraía um voto difuso. No final da República de 1946, nas eleições de 1962, 15 anos depois, o quadro é diferente. O PSD elege 28,8% dos deputados, o PTB, 28,4%, a UDN, 22,2%, e o PSP, populista, 5,1%.

Agregando o PSD, direita rural, e a UDN, direita urbana, são 51% dos deputados, que darão base política ao golpe de 1964. Os conflitos entre eles são pelo controle da máquina e pelas concessões do PSD ao PTB nos governos Vargas e JK, o que capilarizou a máquina trabalhista-sindical de esquerda. O PTB, somado ao PSP, alcança um patamar de 30%, de centro para a esquerda.

Em 1986, vem a eleição pós-democratização. O PMDB, impulsionado pelo Plano Cruzado, repete o PSD pós-1945, com 53,4% dos deputados. O PDS e o PFL, de centro-direita, somam 31%, e o PT e o PDT, 8,2%, similar ao PTB de 1947.
Em 1989, voltam ao patamar do PTB dos anos 60,com 32%, somando Brizola e Lula. O PMDB vai se dissolvendo na Constituinte, dando origem ao PSDB e a outros partidos menores. O PT no poder ampliou essa pulverização.

Fica difícil fazer agregações programáticas. Mas se pode reunir partidos por perfis de seus deputados. Nas eleições de 2010, agregando por perfis, teremos DEM, PP e deputados ideologicamente afins: são 174 ou 34%. PMDB e PSDB somam 132 deputados (25,7%). E PT e partidos de centro-esquerda, 194 (38%).

Um excepcional avanço desde os 12,5% de 1947.
Com a aproximação da esquerda e da centro-direita ao centro, todos se tornam plásticos e difusos.

CESAR MAIA escreve aos sábados nesta coluna.

cesar.maia@uol.com.br

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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