CRESCIMENTO DO RECIFE

09/12/2011

(Artigo do autor, publicado no Jornal do Commercio, 08/12/2011)

Maurício Costa Romão

 A abordagem sobre desenvolvimento de um determinado lugar requer dois cuidados: (1) não apequenar o conceito, a ponto de circunscrevê-lo apenas à sua dimensão econômica e (2) não multidimensioná-lo, a ponto de torná-lo muito complexo, não mensurável. A superação da visão econômica do desenvolvimento deu-se através da incorporação de outras dimensões ao conceito, como a da vertente humana (da qual se originou o IDH), das modernas teses de sustentabilidade, etc, propiciando maior amplitude para o entendimento de como as pessoas podem alcançar uma vida melhor.

 Às várias críticas de que o Recife não vem acompanhando a expansão do estado, o prefeito João da Costa rebateu dizendo que “as críticas são desmentidas pelos números. O PIB da cidade cresce no mesmo ritmo do estado. Isso é fato”. Nota-se, assim, que, a controvérsia gira em torno do conceito restrito de crescimento econômico. E se essa é a referência, as estatísticas não dão suporte à afirmação do prefeito.

 De fato, dados do CONDEPE/FIAM mostram que de 1999 a 2008 a relação PIB do Recife sobre PIB do estado decresceu sistematicamente de 37,3% para 31,9%, uma perda de participação de 5,4 pontos de percentagem. Usando uma regressão linear simples, para compensar a ausência de estatísticas mais recentes, estima-se que essa participação, em 2011, haja caído para cerca de 30,0%, ceteris paribus. Então, não é “fato” de que “o PIB da cidade cresce no mesmo ritmo do estado”. Se o fizesse, nesses últimos 12 anos, a relação entre os PIBs não se teria modificado.

 É indiscutível que o Recife, em termos de pujança econômica, perdeu a liderança regional ao longo dos anos, porém desfruta ainda de alguns indicadores favoráveis que, num projeto estratégico de estímulo aos investimentos e aproveitamento de suas potencialidades, podem ajudar a recuperar o tempo perdido, alavancar o desenvolvimento local e aproximar-se do desempenho do estado.

 A capital tem o maior PIB per capita do Nordeste (proxy para o potencial de consumo da população local), um parque industrial razoavelmente diversificado e moderno, um dinâmico setor terciário, e um segmento de turismo de grande potencial. Conta, também, com razoável infra-estrutura aéreo-portuária, de energia, de transportes, e de comunicações. Seus níveis médios educacionais se sobressaem no Nordeste e a cidade possui uma bem estruturada e diversificada base de ciência e tecnologia.

A exploração estratégica dessas potencialidades requer a adoção de proposta governamental que coloque o papel da economia entre as prioridades. Sem o crescimento econômico não há como possibilitar a transformação social e a inserção das pessoas em outras dimensões do desenvolvimento.

—————————————————–

Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e de Mercado, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br

 

Nenhum Comentário
Deixe seu comentário
Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

continue lendo >> Maurício Romão

Copyright © 2012 Maurício Romão. Todos os direitos reservados.

Desenvolvimento: 4 Comunicação