COMENTÁRIOS SOBRE CRÍTICAS À PESQUISA CNI/IBOPE

01/04/2014

Amigo Gilberto

A propósito de matéria publicada na sexta (28/03), no Blog da Folha, sob o título PT questiona pesquisa Ibope sobre avaliação de Dilma”, permita-me tentar ajudar nos esclarecimentos das questões levantadas pelo Partido dos Trabalhadores.

Na página do PT no Facebook o partido posta matéria intitulada “Algo estranho no ar”, em que critica a pesquisa do CNI/Ibope na qual Dilma tem sua popularidade (mensurada pelos conceitos de ótimo e bom) decrescida de 43% para 36%. In verbis:

“Duas pesquisas feitas pelo mesmo instituto, sobre o mesmo tema, praticamente no mesmo período e ouvindo a mesma base, podem dar resultado diferente?

Mas foi o que aconteceu com a pesquisa encomendada pela CNI ao Ibope, que apontou ontem (27) uma queda de 7% pontos (sic) na avaliação positiva da Presidente Dilma Rousseff.

Uma semana antes, dia 20, levantamento do mesmo instituto apontou que Dilma, com 43% das intenções de voto, seria eleita no primeiro turno, mantendo a performance anterior.

Seria muito estranho uma queda de 7% (sic) em uma semana, um ponto percentual por dia”.

Na verdade, não há o que estranhar. O post faz uma comparação tecnicamente indevida: mistura dados de intenção de votos com dados de avaliação de governo (ou popularidade).

Os dois conceitos guardam até relação: o desempenho do incubente nas intenções de voto é, em parte, reflexo de como seu governo é avaliado. Mas os números de um não podem ser deduzidos do outro como faz a matéria do post.

Basta observar que no estágio atual da pré-campanha, as intenções de voto de uma dada pesquisa mudam em função dos cenários desenhados (com Joaquim Barbosa incluído, com Marina no lugar de Eduardo, etc.) mas a avaliação de governo, não, é única, não se altera por causa dos cenários.

Então, é absolutamente normal duas pesquisas sucessivas de um mesmo instituto mostrarem liderança folgada de Dilma em intenções de voto, com perspectivas de ganhar o pleito no primeiro turno e, ao mesmo tempo apontarem queda na aprovação do seu governo. Foi o caso das pesquisas do Ibope Inteligência de fevereiro e CNI/Ibope de março.

À guisa de reforço argumentativo, veja-se como as questões do questionário do Ibope (que são padrão entre os institutos de pesquisa) são distintas:

Perguntas sobre intenção de votos:

“Em 2014 teremos eleições para Presidente da República. Se a eleição fosse hoje, em quem o(a) sr(a) votaria para Presidente da República?” (espontânea, não mostra nomes).

“E se os candidatos fossem estes, em quem o(a) sr(a) votaria para Presidente da República?” (estimulada, mostra os nomes do cenário).

Compare-se agora com a pergunta sobre avaliação de governo:

“Na sua avaliação, o governo da presidente Dilma Rousseff está sendo ótimo, bom, regular, ruim, péssimo?” (opções mostradas).

Na primeira questão o entrevistado é incentivado a fazer um exercício de antecipação temporal das eleições (“se a eleição fosse hoje…”) e manifestar-se sobre sua preferência por nomes nos quais ele, hoje, gostaria de votar, teria intenção de votar.

Na segunda pergunta não há referência a eleições ou a candidatos. O inquirido verbaliza seu sentimento sobre a administração em curso, como ele está vendo o governo, como ele está sendo afetado, e aí ele se pronuncia, premiando (ótimo e bom), punindo (ruim e péssimo) ou achando a gestão mais ou menos (regular).

Quanto às datas das duas pesquisas e dos respectivos registros na Justiça Eleitoral, motivos de dúvidas levantadas pelo post do PT, são questões concernentes ao próprio Ibope.

Ainda assim, é-nos escusado comentar que o procedimento do instituto parece absolutamente normal.

São duas pesquisas encomendadas por dois contratantes distintos, Ibope Inteligência e CNI, que usam a mesma base de dados, e cujos resultados foram apresentados em dois momentos separados (o post faz um pouco de confusão entre data de divulgação das pesquisas e data de trabalho de campo).

A primeira pesquisa só divulgou resultados de intenção de votos. A segunda só divulgou resultados de avaliação de governo.

Obrigado pela atenção, Gilberto, e grande abraço!

Maurício Costa Romão

30/03/2014

 

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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