CIÊNCIA E TECNOLOGIA: CHAVE DO DESENVOLVIMENTO

24/06/2012
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José Dirceu

Blog do Noblat, 22/06/2012

Educação, Ciência e Tecnologia são as chaves que podem abrir as portas para o nosso desenvolvimento e transformar o Brasil em uma potência mundial competitiva no cenário internacional, capaz de superar definitivamente a pobreza e diminuir as desigualdades.

Enfrentar a dependência tecnológica e o incipiente nível de inovação de nossas empresas —maiores obstáculos à sustentação do nosso crescimento—, por meio de investimentos nessas três áreas, é o principal desafio que temos no horizonte.

Nosso país reúne condições muito favoráveis para se tornar uma potência global nas áreas energética, alimentar e ambiental. Já somos o segundo maior produtor de alimentos do mundo, possuímos uma das matrizes energéticas mais limpas, comparativamente às das outras nações, e um patrimônio de biodiversidade que pode nos alçar também à condição de potência ambiental, desde que consigamos direcionar nossos investimentos a um modelo de desenvolvimento sustentável. Mas isso só será possível se dermos um salto tecnológico consistente.

A distância que ainda nos separa das nações desenvolvidas na produção de Ciência e Tecnologia é imensa. Prova disso é que na relação das 100 empresas mundiais que mais fornecem tecnologias especializadas não consta nenhuma brasileira.

Segundo Glauco Arbix, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), empresa pública vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), não podemos mais falar em aumento incremental neste campo. Seriam necessários entre R$ 30 e R$ 40 bilhões de recursos investidos em tecnologia para que nossas empresas obtivessem ganhos reais de produtividade e competitividade.

Em entrevista concedida ao meu blog, Arbix apontou os esforços do governo federal e a mudança de concepção do papel do setor a partir de 2003, quando recuperamos a capacidade de formular e implementar planos de desenvolvimento e políticas industriais.

Hoje, o governo federal atua com uma série de políticas de incentivo ao desenvolvimento industrial e tecnológico. O Plano Brasil Maior — cujo lema é “Inovar para Competir, Competir para Crescer”— materializa esse esforço, através de ações de apoio à indústria, para que se torne mais competitiva e produtiva, amplie mercados, crie melhores empregos e também para o fortalecimento produtivo e tecnológico das cadeias de valor.

O investimento geral em Ciência e Tecnologia tem crescido a mais de 20% ao ano desde 2007, o que mostra a preocupação constante do governo com a questão da inovação.

A própria FINEP —que apoia e financia projetos de inovação e na área científica, de universidades e institutos de pesquisa, púbicos e privados— também teve um avanço enorme no ano passado, gerando uma carteira de R$ 14 bilhões em projetos de tecnologia vinculados, em grande parte, às áreas Espacial, de Energia, Saúde, Tecnologias de Informação e Comunicação e na área da Defesa.

Mas sabemos que apesar do empenho e dos avanços, ainda é preciso muito para que cheguemos a um patamar satisfatório. Países como a China e a Índia investem cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em inovação.

Já o Brasil investe apenas 1,2%, sendo metade dinheiro público e metade da iniciativa privada. A Petrobrás, sozinha, responde pela terça parte do investimento privado. A meta do governo é persistir no intento de crescer 20% ao ano e ampliar o índice atual para 1,8% do PIBI até o final de 2014.

Uma das barreiras que já começou a ser superada, mas sobre a qual ainda precisamos evoluir é o convencimento do empresariado brasileiro de que tecnologia e inovação não são acessórios, mas, sim, instrumentos de sobrevivência no cenário global.

Outro ponto que precisa ser enfrentado é o distanciamento que existe hoje entre as universidades e as empresas. É preciso que se estabeleça um diálogo permanente entre essas duas pontas, para que as pesquisas e a inovação produzidas sejam, de fato, instrumentos para o nosso crescimento.

Não podemos nos esquecer de que o investimento principal e mais urgente ao nosso desenvolvimento deve ser em Educação e mão de obra qualificada. O Programa Ciência sem Fronteiras, que prevê a utilização de até 75 mil bolsas para promover intercâmbio de alunos de graduação e pós-graduação brasileiros no exterior, é uma iniciativa do governo federal que vai nessa direção.

No momento em que nosso país apresenta as condições para se tornar uma das maiores potências do mundo, visto os avanços obtidos nos últimos dez anos, precisamos mais do que nunca unir nossas forças — governo, empresas, universidades— e promover esse choque de inovação e tecnologia, sem o qual corremos o risco de “morrer na praia”.

O alcance de independência tecnológica, por meio de investimentos massivos em Educação, Ciência e Tecnologia é a chave mestra da nossa conexão com o futuro. É a possibilidade de enfrentarmos nossos desafios externos, sendo competitivos frente às grandes potências mundiais, mas também internos, tornando-nos uma nação que cresce e se desenvolve de forma sustentável, combatendo a pobreza e incluindo seus cidadãos.

José Dirceu, 66, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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