CIDADES SEGURAS, CIDADES COMPETITIVAS

10/02/2012

Murilo Cavalcanti e Sérgio C. Buarque

Blog do Inaldo Sampaio, 08/02/2012

As cidades são espaços de concentração da economia e da população que exercem um papel central na difusão da cultura, das inovações tecnológicas, e de serviços sociais básicos. A aglomeração das atividades produtivas e das pessoas no espaço urbano confere eficiência e competitividade à economia, tornando as cidades o centro dinâmico do desenvolvimento nacional.

Entretanto, as cidades também concentram a pobreza e os grandes problemas sociais do país, resultado do processo desordenado de ocupação e uso do espaço; cada vez mais, elas são uma síntese da degradação social e ambiental e fonte irradiadora da violência.

O desemprego e a ociosidade da população jovem e as degradantes condições de vida das favelas e bairros pobres dos centros urbanos formam o ambiente social propício á propagação da droga e da criminalidade, comprometendo a eficiência e a competitividade econômica das cidades; segundo estudo do Banco Mundial, o Brasil tem 9,5 de jovens sem escola e sem emprego, a grande maioria concentrada nas grandes cidades degradadas e miseráveis; além de vulneráveis às atividades criminosas, os jovens se matam nos finais de semana de droga e alcoolismo, frustrados e sem perspectiva.

A violência e desagregação social reduzem a competitividade econômica que acentua o desemprego, favorecendo a ampliação da violência. Quebrar o circulo vicioso e reverter o quadro de miséria, degradação urbana e baixa competitividade constitui o grande desafio da gestão das cidades e, portanto, dos futuros prefeitos. Como lideranças locais, os Prefeitos são responsáveis pelas políticas e investimentos que enfrentem a desagregação social, tornando as cidades centros de inovação e iniciativas empresariais.

A cidade empreendedora tem dois aspectos: primeiro, a introdução de métodos gerenciais modernos e empresariais no sistema de planejamento e gestão da cidade, para garantir eficiência e eficácia na administração municipal; e, segundo, o estímulo à capacidade e iniciativa empresarial na população, particularmente entre os jovens dos bairros pobres.

A reconstrução de um ambiente de inovação e competitividade das cidades requer a redução significativa da violência para criar um espaço público de segurança para o cidadão e para os negócios. Para tanto, deve combinar o uso da força do Estado e da repressão policial, para quebrar a estrutura do crime organizado, com a implementação de políticas sociais que ofereçam à juventude escola de qualidade, capacitação profissional, oportunidades de trabalho, atividades culturais e esportes saudáveis, afastando os jovens do ambiente de drogas e delinquência, na fronteira da criminalidade; além disso, deve contemplar a recuperação dos espaços urbanos desordenados e degradados da periferia e das favelas.

A cidade saudável deve ser também o espaço dos empreendedores que descubram oportunidades de negócios e apostem diretamente em empreendimentos produtivos que geram renda e emprego; que não esperam pelos governos e assumem também as responsabilidades pelo desenvolvimento da cidade, ao mesmo tempo em que crescem com seus próprios negócios.

Neste aspecto cabe à gestão das cidades a criação das condições sócio-culturais e urbanas adequadas para os empreendimentos da sociedade, estimulando a formação de uma cultura de inovação, criatividade e iniciativa na população, principalmente entre os jovens. Os gestores públicos das cidades devem, portanto, atuar como facilitadores do empreendedorismo, criando o ambiente favorável ao florescimento dos pequenos negócios na periferia, grande alternativa de renda e de geração de emprego.

*Murilo Cavalcanti e Sérgio Buarque são consultores.

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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