AS INVISÍVEIS DIREITA E ESQUERDA

03/09/2012

Editorial da Folha de Pernambuco, 03/09/2012

As campanhas eleitorais para as prefeituras das grandes cidades confirmam que antigos tabus parecem estar superados no Brasil como em outros países do mundo. Queremos ressaltar que as antigas divisões entre direita e esquerda, em que ambas as correntes se definiam, reciprocamente, como o bem o mal, ou estão superadas pelos novos tempos em que vive a humanidade, salvo situações localizadas por motivos principalmente religiosos, ou estaríamos atravessando uma fase de hibernação ideológica.

Restaria o saudosismo dos mais velhos, que não conseguem se adaptar aos novos tempos. As siglas partidárias são meros rótulos que não conseguem penetrar com o princípio ativo das ideologias que prosperaram em décadas passadas.

As duas expressões sobrevivem na linguagem, mas na prática, pelo menos em nosso país, os antigos ranços teriam desaparecido, dando oportunidade a que os mais diferentes candidatos a cargos executivos e legislativos municipais adotem outra linha de conduta, preocupando-se m externar pontos de vista sobre os problemas que afligem as populações sem vinculá-los a qualquer ideologia, por mais forte que tenha sido há algumas dezenas de anos.

As “velhas direita e esquerda” perderam, mesmo que alguns entendam ser temporária essa condição, a força com que seduziam os eleitores. A linguagem dos candidatos é outra, hoje.

Abrangem a solução de necessidades prementes da população sem o apelo quase fundamentalista como acontecia no passado. A expressão neoliberalismo está esquecida dos discursos, embora até recentemente tenha sido utilizada para anatemizar adversários. A palavra comunismo, de outro lado, também desapareceu do dicionário eleitoral. Sinal que os tempos mudaram para melhor.

No Recife, a campanha para as eleições de prefeito tem sido conduzida sem agressões, salvo farpas naturais integrantes do processo, usadas por candidatos adversários. Existe um clima de razoável respeito mútuo, como deve acontecer em situações de países dito civilizados.

Um exemplo emblemático é o deputado Paulo Maluf, pertencente à antiga direita que foi absorvido (ou absolvido, politicamente), a partir do momento em que o ex-presidente Lula o visitou na sua residência. É um claro indício de distensão, apesar do inconformismo de muitos para quem as concessões em política têm limites que não podem ser transpostos.

A democracia está cada vez mais consolidada como valor supremo universal. Resta-nos continuar lutando para aperfeiçoá-la, expurgando presenças deletérias que a comprometem, mesmo que abrigue muitas imperfeições, como ainda acontece em nosso país, exigindo, ao mesmo tempo, o fim das grandes desigualdades sociais e regionais.

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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