APREENSÕES NO CAMPO GOVERNISTA

28/09/2010

 

Imagem publicada no blog do IMN

Por Maurício Costa Romão

Além da pesquisa do Datafolha divulgada hoje, 28/09, que aponta nova redução da vantagem de Dilma Rousseff sobre a soma dos adversários, há mais três fatores de apreensão para as hostes situacionistas na eleição presidencial deste ano:

(1) o provável aumento da abstenção; (2) o eventual crescimento da incidência de votos nulos e brancos e (3) a possibilidade de que haja discrepância entre as intenções de voto consignadas à primeira colocada nas pesquisas, Dilma Rousseff, e os percentuais que se registrarão nas urnas.

Os três fatores podem exercer impacto negativo na votação esperada pelas forças governamentais, favoritas até agora a ganhar o pleito até mesmo no primeiro turno.

Sobre o primeiro fator, o próprio PT já entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com ação para que a Corte declare inconstitucional a exigência de dois documentos – o título e um documento com foto – habilitando o eleitor a votar.

O partido teme que o eleitorado mais simples, de baixa escolaridade e renda, segmento com maior propensão a votar em Dilma Rousseff, principalmente o residente do Nordeste e Norte do País, acabe comparecendo em menor número às urnas, provocando grande abstenção.

Já a preocupação com os votos brancos e nulos, que não consta da mencionada ação, deriva do fato de que a eleição deste ano envolve certa complexidade, notadamente para o eleitor mais simples, de se votar em deputado estadual, deputado federal, senador (duas vezes), governador e presidente. Existe, assim, a possibilidade de haver maior incidência dos votos brancos e nulos, relativamente a outros pleitos majoritários.

Esses dois fatores, (1) e (2), atuando isolada ou simultaneamente, podem afetar o conjunto dos votos válidos, e o fazem no sentido de diminuí-los.  

Com efeito, relativamente aos votos apurados, um aumento da incidência de votos brancos e nulos, acompanhado de acréscimo na abstenção como proporção do eleitorado, diminui o total de votos válidos.

Como essa queda de votos tende a ocorrer proporcionalmente mais nos rincões menos escolarizados, é de se esperar uma retração absoluta de votos para candidatura situacionista nestes sítios, comparativamente ao que se vem projetando.

O terceiro fator, a que se fez referência no início do texto, não afeta diretamente os votos válidos, mas a expectativa de votação. Esse fator diz respeito à eventual recorrência, nestas eleições, das históricas discrepâncias encontradas em inúmeros pleitos entre as estimativas das pesquisas e as totalizações oficiais. 

Segundo o cientista Alberto Carlos Almeida há um padrão sistemático de erro que se detecta nas pesquisas quando se confrontam suas estimativas com os resultados das urnas: a superestimação dos percentuais de intenção de votos do primeiro colocado, independentemente de sua cor partidária ou ideológica.

De fato, em nada menos do que 65% das pesquisas eleitorais estudadas em vários pleitos, num conjunto de 562, o candidato primeiro colocado obteve percentual mais elevado do que o registrado pelas urnas. Uma superestimação que cria expectativas falseadas quanto à votação a ser recebida pela candidatura líder.

Esta questão também tem a ver com o eleitorado mais simples. Segundo o próprio cientista, os erros das pesquisas acontecem em todos os estados e municípios, mas são comprovadamente maiores nos lugares onde a escolaridade é mais baixa. As pessoas desse nível tendem a revelar nas pesquisas preferências pelo primeiro colocado, porém na hora de votar acabam errando, votando em branco ou anulando o voto.

Considerando-se este último levantamento do Datafolha, em termos de votos válidos, a diferença entre Dilma Rousseff (51%) e a soma dos demais candidatos (49%) diminuiu, e está agora em 2,0 pontos de percentagem.

Então, tudo o mais permanecendo constante, para levar o pleito para o segundo turno, a oposição precisaria crescer algo ligeiramente acima de 1,0 ponto de percentagem.

Há que se aguardar, contudo, as outras pesquisas que saem esta semana para detectar se a diminuição da diferença de intenções de voto entre os dois lados configura realmente uma tendência, conforme parece está sendo delineada.

Em síntese, se os três fatores discutidos neste texto ocorrerem haverá uma diminuição do número de votos com que conta a situação. Isso, de per si, pode levar a eleição para o segundo turno, bastando apenas que as próximas pesquisas mostrem, pelo menos, um quadro de razoável estabilidade de intenções de voto entre a candidatura líder e a dos demais postulantes.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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