A POLÍTICA DEFINE A ECONOMIA

01/08/2011

Luiz Fernando Guedes

Folha de Pernambuco, 31/017/2011

Os Estados Unidos estão em intenso debate sobre a ampliação do teto da dívida. Republicanos e Democratas protagonizam uma das mais vexatórias negociações dos últimos tempos. Em pauta prioritária, a eleição presidencial, em escala distante, a situação da economia americana e a repercussão na economia mundial. Os principais líderes republicanos radicalizam discurso imputando ao Presidente Obama a responsabilidade por um eventual fracasso nas negociações; exigem corte de gastos nos projetos sociais, e atribuem ao Partido Democrata a escalada do endividamento do país. O quadro é tão caótico, que os democratas estão divididos, diversas propostas  estão na agenda, e não há consenso, ampliando as dificuldades para consolidar a negociação.

A realidade dos fatos segue em outra direção, o Governo Clinton, manteve política fiscal equilibrada e entregou o país a Bush com bons fundamentos, abrindo espaço para a continuidade de um grande governo. Daí por diante, todos conhecem o resultados. Os gastos explosivos com as guerras exemplificam a construção de um cenário de desequilíbrio.
Os desequilíbrios da economia americana, e de alguns países da zona do euro, que cada vez mais dependem de uma ação política para resolver os rumos da economia, introduzem ambiente para ampliação dos investimentos no mercado financeiro brasileiro. A entrada de dólares é explosiva repercutindo em desvalorização recorde da moeda americana que chegou a R$ 1,54.

O receio de um agudo processo de desindustrialização empurra o governo para adoção de medidas no câmbio objetivando uma elevação da cotação. Nesta semana através de medida provisória estabeleceu a cobrança de 1% de Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) nas transações financeiras envolvendo derivativos.

A medida tenta atingir o mercado futuro e diminuir a rentabilidade das instituições que operam apostando na queda do dólar, e reverter a eterna tendência de queda. Parece mais uma tentativa pontual, e pouco deve influir no comportamento de médio e longo prazo. Para  viabilizar inversão consistente, o governo precisa reduzir gastos diminuindo pressão por financiamento, e conseqüentemente reduzindo a taxa de juros.

Enquanto, os desequilíbrios externos continuarem, e permanecer a invejável condição de arbitragem com entrada de recursos a custos baixíssimos, e aplicação a elevadas taxas de juros com risco baixo, os volumes continuarão sendo significativos, empurrando o real para novas rodadas de valorização. Pobre indústria nacional.

Luiz Fernando Guedes Pereira Filho
Sócio-Diretor da Rosenberg & Associados
Escreve aos domingos
E mail: gue­des@ro­sen­berg.com.br

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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