A INTERNET E A EDUCAÇÃO

30/12/2011

 

Editorial do Jornal do Commercio, 26/12/2011

Já virou folclore a história de alunos que levam para as escolas trabalhos feitos em casa com muito apuro gráfico, coloridos e com ilustrações que nem os livros têm, apenas com alguns “pequenos deslizes”, como referir-se a figuras estrangeiras de pouco, ou nenhum, conhecimento, e com marcações curiosas de parênteses e expressões como “a figura ao lado”, sem que haja figura nenhuma. Tudo, como se sabe, produto dos fantásticos caminhos de pesquisa abertos pela internet e que hoje estão resumidos a uma expressão: Procura no Google!

Apesar desses e outros pequenos tropeços, a internet é uma realidade que chegou para ficar. Mudou costumes, aproximou fronteiras, abriu novos horizontes, mas pode ter o seu lado negativo. Assim, por exemplo, continuando na linha das magníficas “pesquisas” estudantis, desde o fundamental, aí está a crônica da indústria das dissertações e teses, produzidas a grosso e a varejo, para qualquer estudante, de qualquer mestrado ou doutorado, graças, sobretudo, às possibilidades abertas pela rede mundial.

Nessa linha, o Ministério da Educação promoveu um encontro denominado Edu-Tec, Educação e Novos Paradigmas, com o objetivo de discutir a educação e novas tecnologias. Qual o Papel das redes sociais? O Facebook, o Twitter e o mais novo Google Plus tomam a atenção de quase todos os jovens – daí se excluem, naturalmente, os que estão longe, ainda de ter acesso a um computador, e são muitos. A pergunta que se faz é: Isso é bom ou é ruim para a educação? Esse é um dilema com que se defrontam os educadores que, por outro lado, elogiam iniciativas como as Olimpíadas de Jogos Digitais e Educação, desenvolvidas pelo Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), aqui na capital. Sob qualquer abordagem, a questão tem que partir de um ponto: a irreversibilidade da descoberta. No segundo momento, qual a abrangência dos seus benefícios, seguindo-se onde está sua maior fragilidade e de que forma pode contribuir para os avanços do conhecimento entre nós, que não podemos ser apenas consumidores. Nesse sentido é que festejamos esse núcleo de produção de conhecimento tecnológico que é o Cesar e tudo que se pesquisa e cria em informática na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). São nichos que precisam de desdobramento acelerado, como tudo mais que acontece nesse setor. Aí, então, estaremos participando do processo, em vez de apenas o assistirmos embevecidos pela mágica e rapidez.

Especificamente em relação à educação, é fundamental se ter o diagnóstico das condições atuais de nossas escolas. Avaliar, por exemplo, o que representa, ou representará, a entrega, pelo Estado, de dezenas de milhares de tablets aos estudantes de escolas públicas. Até que ponto essas ferramentas chegam para sintonizar com os avanços tecnológicos jovens que dificilmente teriam acesso a eles, e, sobretudo, qual a dimensão pedagógica dessa conquista na formação das novas gerações. Esse é o percurso que nos colocará realmente no curso das nações que avançaram e continuam avançando, graças à combinação de educação e tecnologia. Como nos ensina a China.

 

 

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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