A EXPECTATIVA COM 2013

13/08/2012

Editorial da Folha de S.Paulo, 08/08/2012

A retomada de 2,8% na produção de automóveis em julho sugere que a economia poderá ter desempenho um pouco melhor no segundo semestre -o dado permite inferir alta próxima de 1% no mês para a indústria como um todo. Depois do longo período de retrocesso na produção, seria uma notícia alvissareira. A fraqueza recente da atividade já comprometeu os números deste ano, porém.

Dificilmente o crescimento do PIB superará 1,5%. As atenções do governo e das empresas, por isso, já se voltam para 2013. As projeções do relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, apontam para uma respeitável alta de 4% para o PIB de 2013.

Tal prognóstico pressupõe melhora substancial no desempenho da economia nos próximos meses. A questão é saber se há boas razões para contar com uma mudança de comportamento em prazo tão curto. Afinal, o quadro da economia global continua adverso e não se vislumbra grande alteração nas condições de crescimento das principais regiões do mundo.

Do lado industrial, a queda acumulada da produção desde meados de 2011 parece ter permitido redução de estoques, efeito que agora pode estar perto de esgotar-se.

No caso do setor automotivo, a redução do IPI foi eficaz para conter desequilíbrios. Os estoques caíram de mais de 45 dias de vendas, há três meses, para 27 dias em julho, um patamar de normalidade.

Ainda é difícil distinguir se o pacote de estímulos do governo federal está apenas antecipando vendas ou se há uma recuperação efetiva, mas é inegável que a situação melhorou. A reativação do setor automobilístico, até mesmo por seu peso na economia, pode prenunciar uma recuperação mais ampla.

Do lado do crédito, há sinais de que a inadimplência tenha atingido seu pico, e os bancos já trabalham na perspectiva de aceleração moderada nos próximos meses. Com isso, espera-se certo impulso no consumo de bens duráveis.

A principal incógnita são os investimentos das empresas. A grande surpresa dos últimos trimestres foi a retração dos empresários. Parte dela decorre da incerteza no setor externo. No entanto a recuperação das vendas, se confirmada, pode enfim despertar sua disposição para investir.

Por fim, há os impactos defasados de todos os estímulos adotados desde o ano passado, a começar pelo corte de cinco pontos percentuais na taxa básica de juros. Em outros lugares do mundo também se acumulam medidas de impulso, que em algum momento devem começar a fazer diferença.

É razoável, portanto, que o PIB se acelere nos próximos meses. A principal dúvida é se haverá dinamismo suficiente para o país crescer 4% em 2013, ou se os conhecidos obstáculos estruturais se mostrarão preponderantes.

editoriais@uol.com.br

 

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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