A DESIDEOLOGIZAÇÃO DAS CAMPANHAS ELEITORAIS

23/11/2011

Por Adriano Oliveira

O livro The European Voter – A Comparative Study of Modern Democracies, organizado por Jacques Thomassen, revela que a ideologia é uma variável em desuso para explicar o comportamento do eleitor. O raciocínio dos variados autores que participaram do livro é que mudanças socioeconômicas transformaram o eleitor europeu. E, por consequência, a ideologia não tanto importa para explicar a escolha dos eleitores. No livro Esquerda e Direita no eleitorado brasileiro, André Singer mostra que a ideologia explica, junto com outras variáveis, o capital eleitoral de Lula nas eleições de 1989 e 1994. Considerando as transformações socioeconômicas ocorridas na sociedade brasileira nestes últimos 21 anos, tenho a hipótese de que a ideologia não explica de modo satisfatório a escolha dos eleitores.

Um pergunta básica deve ser feita: os eleitores sabem distinguir as características entre esquerda e direita? Tenho a hipótese que não. Deste modo, pesquisas quantitativas que solicitam que eleitores se posicionem entre os espectros ideológicos não revelam nada. Apenas sugerem algo.

As últimas eleições presidenciais mostraram que as variáveis Avaliação da administração e Bem-estar econômico explicam a escolha do eleitor. A partir de um olhar apressado, considero que estas variáveis explicam o sucesso eleitoral dos candidatos. Entretanto, outras variáveis existem, as quais junto com Avaliação da administração e Bem-estar econômico podem vir a explicar de modo satisfatório as escolhas dos eleitores.

Por que a maioria dos eleitores aprova a administração de dado presidente da República ou dado prefeito? Esta é uma pergunta vital para evidenciar outras variáveis que motivam os eleitores a optarem por um candidato. Quais os sentimentos do eleitor? Através desta indagação é possível identificar o estado de ânimo do eleitorado. O estado de ânimo reflete os desejos, os medos, e a visão de mundo dos eleitores na conjuntura.

Através de pesquisas qualitativas e quantitativas é possível identificar os sentimentos dos eleitores. A partir da identificação e compreensão dos sentimentos, as variáveis bem-estar econômico e Avaliação da administração adquirem condições de serem interpretadas de modo satisfatório.

Constato, portanto, mas não desconsidero a conjuntura, que as campanhas eleitorais no Brasil sofrem, há muito tempo, um processo de desideologização, pois as ideologias não importam tanto.

Cientista Político – http://www.leiaja.com/

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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