8.000 VOTOS!

27/11/2020

(Publicado no Jornal do Commercio-PE em 27/11/2020)

 Maurício Costa Romão

Na primeira pesquisa do 2º turno no Recife o Datafolha detectou que 9% dos eleitores decidiram seu voto na véspera da eleição e 15% o fizeram no próprio dia (19% entre os eleitores de baixa renda). É a conhecida volatilidade do voto: os eleitores estão deixando para resolver em quem votar nos estertores do pleito.

Junte-se a essa imprevisibilidade a elevada alienação eleitoral (abstenção + votos brancos e nulos) havida no dia da votação, 33,6% (foi de 23,3% no 1º turno de 2016), e têm-se as causas de os institutos de pesquisa terem cometido graves erros de estimativas, incluindo aqueles de boca de urna (o eleitor é entrevistado depois que votou).

De fato, nas 16 pesquisas desde a segunda quinzena de outubro até a boca de urna do Ibope, os candidatos pessebista e petista registraram visível estabilidade de intenção de votos totais: João Campos na faixa de 31% (média e moda nas 16 pesquisas) e Marília Arraes no entorno de 22% (média e moda nas 7 últimas pesquisas).

Além de indicar a ocorrência de 2º turno, a regularidade da votação de João Campos sinalizava para a existência de um teto nos arredores  de 31%. Dois fatores davam guarida à hipótese do teto: (a) a constância das intenções de voto espontâneas e (b) as altas taxas de rejeição (não propriamente ao candidato, mas às circunstâncias, de que fala Ortega y Gasset, que embalam sua candidatura).

O resultado das urnas no 1º turno em votos totais validou o teto apontado pelas pesquisas, embora registrando percentual bem menor (25,2%), e mostrou a petista mais próxima do líder do que se previra (votação de 24,1%).

Bem, o fato é que a média dos resultados das duas últimas pesquisas do 2º turno, anteontem (Ibope) e ontem (Datafolha), apontam para a continuidade do placar apertado do 1º turno (um ponto de diferença).  Na média dos dois levantamentos (a média aplaina as diferenças entre eles), Marília tem 50,5% de intenção de votos válidos e João 49,5%.

A persistirem essas médias e supondo que a alienação eleitoral seja igual a do 1º turno, a votação da petista ficará ao redor de 8.000 votos a seu favor quando as urnas forem abertas.

Serão muitas emoções até o dia do pleito e a volatilidade do voto decidirá a eleição, já que a alienação, mesmo chegando a 40%, não terá tanta influência nos resultados.

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Maurício Costa Romão, é Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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