5 CONCLUSÕES SOBRE A PESQUISA DATAFOLHA DA ELEIÇÃO EM SP

08/09/2011

 

José Roberto de Toledo

Vox Publica, 05/09/2011

Uma pesquisa a mais de um ano da eleição é apenas um indicativo do grau de conhecimento do eleitorado em relação aos pré-candidatos, e uma medida da simpatia ou antipatia que cada um deles desperta. Ou seja, o cenário de hoje não será o do dia da votação. Mas, feita essa ressalva, a pesquisa mostra tendências, dificuldades e, por si só, cria um fato político. A eles:

1. Gilberto Kassab vai precisar gastar muito, mas muito dinheiro público para ter uma influência positiva na sua sucessão. Se a eleição fosse hoje, o candidato do prefeito partiria de saldo negativo: para cada eleitor que diz que votaria no nome indicado por Kassab, dois dizem que fariam justamente o contrário, que não votariam nesse candidato – 15% de apoio contra 38% de rejeição.

2. A pesquisa joga uma balde de água fria nos que ainda tinham esperança de ver José Serra disputando a Prefeitura de São Paulo em 2012. Ficar à frente de todos os outros candidatos do PSDB é esperado, mas ficar 11 pontos atrás de Marta Suplicy (PT) -29% a 18%- é um resultado muito ruim para quem acabou de disputar a Presidência. Especialmente porque Serra tem uma rejeição alta, de 32% do eleitorado, equivalente à da petista, de 30%. Seria uma eleição arriscada demais para Serra. Apesar de já ter sido eleito prefeito uma vez, ele perdeu em três outras ocasiões. Uma quarta derrota seria a última e definitiva.

3. Ao colocar Marta Suplicy isolada na liderança, a pesquisa dá novo fôlego à pré-candidatura da senadora, que havia quase naufragado após o apoio público de Lula ao ministro da Educação, Fernando Haddad. Nos quatro cenários em que seu nome aparece na pesquisa, Marta lidera com entre 29% e 31%, enquanto o preferido de Lula não passa de 2%. Com Marta candidata do PT, a eleição iria para o cenário clássico: 1/3 de eleitores a favor dela, 1/3 contra e 1/3 de “independentes” decidindo a eleição.

4. Mas a pesquisa mostra que ninguém tem mais peso do que o ex-presidente na composição do quadro eleitoral. Lula (40% poderiam votar no seu candidato) é, teoricamente, mais influente em São Paulo do que o próprio PT, do que Dilma Rousseff (26%) e do que Geraldo Alckmin (27%), segundo o Datafolha. Essas perguntas impõem uma problemática ao eleitor sobre a qual ele não havia pensado e, por isso, as respostas não necessariamente se igualarão ao que o eleitor fará no dia da eleição. De qualquer modo, é significativo que 61% dos simpatizantes do PT digam que votariam no candidato de Lula a prefeito. É o único cacife de Haddad. Pode ser suficiente para ele ganhar a indicação petista, mas não o transforma em favorito na eleição geral.

5. A grande dispersão das intenções de voto, com nenhum candidato ultrapassando um terço dos eleitores, abre espaço para que um “desconhecido” chegue ao segundo turno -sim, porque é quase certo que a eleição terá dois turnos. Os “azarões” que melhor se saíram da pesquisa foram o do PP, Celso Russomanno (15% a 19% de intenção de voto versus 16% de rejeição), o do PDT, Paulinho da Força (6% a 11% versus 23% de rejeição), a do PPS, Soninha Francine (6% a 11% versus 18% de rejeição). Gabriel Chalita (PMDB) vai precisar de muito tempo de TV para sair do patamar de 3% a 5% de intenção de voto. Entre os nanicos tucanos, Bruno Covas mostrou que pode, eventualmente, se beneficiar do sobrenome do avô e se destacar dos demais.

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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