IBOPE: DESAFIOS PARA DILMA E ADVERSÁRIOS

21/11/2013

Fonte: elaboração própria com base em pesquisas do Ibope

Maurício Costa Romão

Desde a celebração da coalizão PSB-Rede, na data-limite de 5 de outubro, foram realizadas seis pesquisas nacionais de intenção de votos pelos institutos Datafolha, Vox Populi, Ibope, Sensus, MDA e Ibope, nesta ordem (vide gráfico).

Os números são muito claros em dois aspectos:

  1. a distância de pontos de intenção de votos entre a presidente e os mais prováveis adversários, Aécio Neves e Eduardo Campos, vem mostrando ampliação (passou de seis para 22 pontos entre a primeira pesquisa e a última), o que aumenta a possibilidade de o pleito ser encerrado no primeiro turno;
  2.  as intenções de voto de Dilma (média de 42%) atingiram um teto, pelo menos nestes dois meses.

A eventual ocorrência de teto em intenções de voto acontece também na “avaliação do governo” da presidente. Esta variável, mensurada pela soma das manifestações positivas de ótimo e bom, é considera pelos cientistas políticos como um dos principais fatores determinantes do voto em eleições disputadas por incumbentes. Governos bem avaliados tendem a reeleger-se ou fazer sucessores. A avaliação de governo tem outra característica importante: ela independente dos cenários de intenção de votos.

A tabela que acompanha o texto desfila números da avaliação que os eleitores têm feito da gestão da presidente, nas pesquisas do Ibope. Nota-se que a popularidade (outro conceito para a soma de ótimo e bom) da presidente Dilma quase não tem sofrido alterações, gravitando no entorno de 38%, desde agosto, perpassando o período da surpreendente aliança Marina-Eduardo.

Enfim, tanto em intenções de voto, quanto em popularidade, a presidente está encontrando dificuldades de superar as casas médias de 42% e 38%, respectivamente. O objetivo maior da governante é ultrapassar estes limites, de certa forma desconfortáveis para a reeleição pretendida. Sua vantajosa condição de incumbente, porém, é facilitadora desse intento.

Do lado dos adversários, o desafio é reconquistar adeptos e ainda fazer novos, de tal sorte que aproximem suas intenções de voto do plateau que a líder das pesquisas exibe, garantindo, assim, a segunda etapa do pleito.

Se a incumbência soma a favor da presidente, as manifestações de junho, que deixaram algo de inescrutável e imponderável no ar, tendem a pesar para o lado da oposição. Afinal de contas, esta pesquisa do Ibope mostrou que 62% da população quer que o próximo presidente opere mudanças no País, contra 35% que preferem a continuidade do que está aí.  Como disse Marina Silva: “O imprevisível ronda o palco dos acontecimentos”.

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Maurício Costa Romão, Ph.D. em economia, é consultor da Contexto Estratégias Política e Institucional, e do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. mauricio-romao@uol.com.br

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Sobre o autor

Maurício Costa Romão é Master e Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sendo autor de livros e de publicações em periódicos nacionais e internacionais...

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